Na Livraria Escariz, educação e literatura caminham juntas

Todo ano, a Livraria Escariz abre suas portas para um encontro que se tornou referência em Sergipe: uma reunião entre coordenadores, diretores, escritores e fornecedores de material escolar. Mais do que um evento literário, é um encontro sobre recursos para a educação — um espaço onde as escolas conhecem lançamentos, tendências e ferramentas para a sala de aula, dos materiais escolares às obras de autores nacionais, internacionais e, com destaque especial, sergipanos. É também aqui que os escritores do nosso estado ganham voz para apresentar seu trabalho, permitindo que as instituições avaliem a aplicação das obras como paradidáticos.

O encontro deste ano aconteceu no último sábado, 22 de agosto de 2026, e foi profundamente produtivo. A abertura ficou por conta de Fátima Escariz, sócia da rede de livrarias e figura atuante no mercado literário sergipano, que conduziu o momento com a generosidade que lhe é característica.

A palavra passou, então, por nomes que enriqueceram a manhã: o escritor e ilustrador André Comanche; Ana Lêda, bibliotecária e idealizadora do Clubinho do Livro da Escariz; a jornalista Jéssica Vieira e a escritora Cece Vieira, que falaram aos educadores presentes. Entre eles, nossa escritora Gisele Késsia Gelschleiter também foi convidada a compartilhar sua jornada.

Como um verdadeiro encontro de recursos para a educação, os fornecedores tiveram presença marcante: marcas como Tris, Faber-Castell e Molin presentearam os participantes com brindes, num gesto que reforça a parceria entre quem produz as ferramentas e quem as leva para a sala de aula. Um coffee break acolhedor completou a atmosfera do dia.

Sobre criar mundos

Quando chegou a sua vez, Gisele não falou apenas sobre livros. Falou sobre o poder da imaginação — sobre aquilo que um bom livro deixa dentro de uma criança muito depois da última página. Uma pergunta. Uma imagem. Uma coragem. Um mundo inteiro.

“O conteúdo ensina uma informação. A literatura ensina a criança a olhar”, disse, resumindo a convicção que atravessa toda a sua obra: a de que um livro paradidático pode ser muito mais que um conteúdo transformado em história. Pode ser uma porta de entrada para o conhecimento, uma forma diferente de sentir, uma possibilidade.

Intensa em tudo o que faz, Gisele se emocionou — e emocionou a todos — ao contar a história da sua folhinha de ipê-amarelo. A história da Iná, que nasceu aqui, em Sergipe, e atravessou o oceano até Moçambique, chegando às mãos de crianças da Escola Manchava. E também a sua própria história: a de uma semente que foi plantada na infância e só germinou décadas depois, aos cinquenta anos, transformando-se em literatura infantil.

Foi nesse encontro, também, que Gisele conheceu pessoalmente a equipe da Tris e pôde contar a eles, olho no olho, que foram os lápis de cor escolhidos para atravessar o oceano com a Iná — os mesmos que vão colorir os sonhos das crianças moçambicanas. Um momento em que a emoção foi de quem descobre que faz parte de uma travessia.

Gratidão que germina

Ao final, Gisele fez questão de reconhecer a generosidade de Fátima Escariz e Ana Lêda, agradecendo pela oportunidade de estar em um momento como esse — um espaço em que os recursos que sustentam a educação, dos lápis de cor aos livros, encontram as escolas e, através delas, as crianças.

Porque é disso que se trata: plantar sementes sem saber exatamente quando florescerão. Escrever, como Gisele costuma dizer, para os netos que ainda não se tem.

E, num sábado de agosto, na Livraria Escariz, algumas dessas sementes foram plantadas.

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